Entrevista: Competência Emocional

No dia 19/01/09 Rogério Calusa concedeu entrevista à repórter Francine Moreno do jornal Diário da Região de São José do Rio Preto, falando sobre as emoções, autoconhecimento, crenças, empatia e felicidade. A seguir você pode conferir a entrevista na íntegra ou acesse o link abaixo para visualizar trechos da matéria publicada no dia 14/04/09 do Diário da Região e no site www.diarioweb.com.br
Jornal Diário da Região/Seção Vida & Arte - NOVA COMPETÊNCIA
 
(Diario da Região) O que é competência emocional?
(Calusa) Os estudos indicam que, mais do que o QI ou capacidades intelectuais isoladamente, a inteligência emocional é responsável pelas melhores decisões, organizações mais dinâmicas e por um estilo de vida mais satisfatório e bem sucedido. Viemos pagando um alto preço em nossas vidas pessoais e nas organizações por nossa tentativa de separar nossas emoções de nosso intelecto quando, na verdade, precisamos de ambos e que ambos trabalhem em conjunto.

As emoções não são apenas manifestações de humor ou desejos, nossa mente emocional nos fornece constantemente informações importantes que precisam ser adequadamente interpretadas e avaliadas para resultarem em comportamentos apropriados e levarem à bons resultados. É importante também ser capaz de perceber e sintonizar com as emoções alheias e ter consciência de como elas nos afetam e de como nós afetamos as outras pessoas (empatia), o que se torna importante para a função de liderança.

A competência emocional defino como a soma de conhecimentos e habilidades que permitem uma pessoa lidar com as próprias emoções e com as dos outros, bem como saber como e quando expressar as emoções. Esses conhecimentos e habilidades melhoram as percepções da pessoa,  tornando-a capaz de: 

  • desenvolver o seu poder pessoal e determinar a sua qualidade de vida;
  • manter posicionamentos com discernimento, respeito, congruência e responsabilidade; 
  • estabelecer uma comunicação com outras pessoas com critérios na qual sabe alinhar as palavras, tom, velocidade e postura corporal;
  • exercer o poder da sua presença ao invés de omitir-se;
  • expressar o reconhecimento, gratidão, aceitação e a consideração sem dúvidas, confusões, defesas ou resistências;
  • dizer a verdade baseada em fatos e não em interpretações e suposições;
  • dizer o que pensa e o que sente sem julgamentos, críticas ou justificativas;
  • manter inabaláveis a sua autenticidade e o seu poder de criatividade;
  • manter o foco em seus sonhos e objetivos;
  • agir com confiança e sabedoria sem abalar-se pelas incertezas, e, entre outros;
  • lidar com os próprios medos e apegos.

Desenvolver e aprimorar a competência emocional amplia a consciência de que o mais importante do que sentir as emoções é saber o que fazer com elas diante dos contextos e dos relacionamentos intrapessoal e interpessoal nas várias áreas da vida.

A boa nova que nos foi trazida pelas conclusões das pesquisas modernas em neuropsicofisiologia é a de que a inteligência emocional pode ser desenvolvida em praticamente qualquer idade, sendo possível realizar um aprendizado que compense as deficiências de nossa formação emocional básica.

A Inteligência Emocional é fundamentada em cinco áreas: 

  • Autoconsciência: conhecer as próprias emoções; saber o que sente; considerar suas emoções quando fazem decisões, ter confiança e avaliar suas habilidades de maneira realista.
  • Autogerenciamento: gerenciar as próprias emoções; pensar antes de agir; ter resiliência para se recobrar de frustrações emocionais; protelar gratificação imediata para conseguir o objetivo.
  • Motivação: capacidade de se automotivar e motivar os outros; ter persistência e paixão por seus projetos.
  • Empatia: conhecer as emoções do outro; sentir o que os outros sentem.
  • Habilidades Sociais: saber lidar com as emoções dos outros; interpretar os relacionamentos e interações dos outros de forma correta.

(Diário da Região) Ao desenvolver competências emocionais importantes, você se torna consciente dos seus processos internos e pode responder de modo positivo às circunstâncias?
(Calusa) Sim. 

(Diário da Região)Como as pessoas podem adquirir e descobrir novas competências emocionais?
(Calusa) O autoconhecimento é o caminho para as descobertas do mundo interior, porém é preciso que a pessoa se permita para isso. O Instituto Calusa facilita o autoconhecimento por meio de palestras, workshops, cursos e treinamentos que visam expandir a consciência e oferecer informações, orientações e técnicas que permitam a pessoa realizar suas reformas interiores. Para as pessoas que buscam atendimentos específicos, o Instituto Calusa também possui terapia breve e coaching, ambos aplicados por meio de técnicas avançadas que englobam a Programação Neurolinguistica – PNL, Modelos Internacionais de Coaching, Psicanálise, Bioenergética, Terapia Transpessoal e filosofia oriental.  

Entretanto, posso adiantar que o primeiro passo para esta descoberta, além da própria pessoa se permitir, consiste na pessoa realizar uma avaliação para identificar os estados emocionais predominantes em seu dia a dia e como estes afetam em seus relacionamentos, na profissão, no financeiro e nas outras áreas importantes de sua vida. O passo seguinte é que ela procure um profissional que ela tenha empatia e confiança para buscar orientações sobre o assunto.   

(Diário da Região) Para acessar determinada competência é preciso passar pela transformação de crenças antigas?
(Calusa) Sim. É preciso esclarecer que o nosso Sistema Interno de Crenças  é composto por crenças que no passado influenciaram fortemente sobre nossas ações e hoje apenas as recordamos – por exemplo Papai Noel, Príncipe Encantado, “bicho-papão” – bem como de crenças que ainda sustentam, apóiam e reforçam nossos pensamentos, sentimentos, critérios, valores e nossas capacidades de agir ou não diante das pessoas e dos contextos. Em outras palavras, algumas crenças temos quando criança apenas, outras, temos a vida inteira.

Quando falo de crenças, além das crenças religiosas e de filosofia de vida, ressalto as crenças que herdamos de pessoas importantes de nossa vida – pais, família, professores, chefes, amigos, cônjuges, mentores – e de crenças que criamos e as modelamos para viver os nossos dias.

Toda crença é limitante em algum contexto. A crença é uma profecia auto-realizável e pode ser uma “mola propulsora”, levando a pessoa ao seu sucesso e a sua felicidade, ou perpetuar a um estado emocional, pensamento, sentimento ou um comportamento que deixa a pessoa paralisada, infeliz, sem motivação,tornando-a uma expectadora passiva no palco da vida, vítima e refém do seu próprio mundo interior.    

(Diário da Região) Seja na vida amorosa ou na empresa, investir na sua atenção, seu tempo e seus recursos no aprendizado emocional, garante uma colheita farta de amor, alegria, abundância e habilidade para chegar aonde quer que sua felicidade esteja? A capacidade de desenvolver competências emocionais adequadas é fundamental para o sucesso?
(Calusa) Para mim a felicidade não é um lugar onde se possa chegar ou ser ocupado e nem algo que se possa tocar ou pegar.

(A resposta está contida no Artigo Sucesso e Felicidade - Saiba mais aqui). 

(Diário da Região) Ter competência emocional é não deixar a vida no piloto automático. Fazer reavaliações periódicas e buscar recursos para continuar se aperfeiçoando é atitude de quem busca excelência?
(Calusa) Tem muita coisa que fazemos e nem nos damos conta que estamos fazendo. Isso é estar funcionando no “piloto automático” e seria impossível tirar todas as nossas ações, pensamentos e sentimentos que estejam funcionando dentro do padrão do “piloto automático”.

Acredito que é preciso estarmos perceptivos a tudo o que acontece ao nosso redor e ao que acontece no nosso mundo interior. Os feedbacks estão disponíveis a todo momento, quer seja nas pessoas, nos nossos objetivos, nos relacionamentos e no nosso próprio corpo e mente. Basta olhar, escutar ou sentir os feedbacks.

Concordo em fazer reavaliações periódicas para saber se estamos seguindo a rota ou caminho que desejamos. Acredito que no decorrer da nossa caminhada se faz necessário buscarmos recursos para melhorarmos nossos aspectos físico, mental, emocional e espiritual. A busca pela excelência deve ser feita de forma saudável e que promova o bem estar e o equilíbrio.  

(Diário da Região) Ter competência emocional é identificar o que precisa aprender e praticar por meio de ações especificas. Isso é ir além dos pensamentos e se colocar em movimentos com atitudes que fazem a diferença?
(Calusa) Sim. Acreditar nas impossibilidades é uma das maneiras de negar as capacidades. Transcender é a capacidade de superar as limitações, é ir além daquilo que se acredita. 

(Diário da Região) Ter competência emocional é exercitar a empatia e conseguir se colocar no lugar do outro. Ao calçar os sapatos da outra pessoa você compreende melhor seu modo de caminhar e seus relacionamentos se transformam?
(Calusa) Por dois anos intensos eu participei aqui no Brasil de um grupo de estudos sobre o Xamanismo Siberiano, ministrado por uma xamã e teósofa, no qual eu aprendi um ensinamento lindíssimo que aplico no meu estilo de vida, nos treinamentos e nos atendimentos. Este aprendizado compreende o seguinte:
·          Respeitar o outro significa ter disposição para dar à outra pessoa uma segunda oportunidade de entendimento, é olhar novamente, em vez de manter-se aferrado a um ponto de vista particular em relação a uma situação ou pessoa. Isso nos permite estar abertos e flexíveis tanto em relação a nós mesmos como aos outros.
·          Para compreender a outra pessoa é preciso calçar o chinelo do outro e andar muito com eles para sentir o seu caminhar. Depois é tomar emprestado os olhos do outro para perceber como é a sua visão de mundo. E por fim, tomar emprestado o seu coração para sentir o seu pulsar.

Os relacionamentos se transformam a partir do momento que há uma comunicação criteriosa pautada na verdade dos fatos, uma disposição para escutar sem expressar críticas ou julgamentos, uma capacidade mútua de entendimento entre o que foi dito e o que foi escutado, uma aceitação sem a cobrança da concordância ou imposições de condições, enfim, os relacionamentos se transformam quando as pessoas praticam harmoniosamente o clima de empatia.   

(Diário da Região) Ter competência emocional é compreender que uma contrariedade é apenas uma contrariedade. Não há tragédia alguma nisso?
(Calusa) A capacidade de compreensão é uma das habilidades contida na competência emocional.

“As pessoas são seres dinâmicos num constante processo de mudanças e transformações física, intelectual, emocional e espiritual.”

Cada pessoa cria o seu modelo de mundo no qual possa viver da melhor maneira, pautado em sua identidade – quem sou – e nos seus valores, crenças, aprendizados, capacidades, históricos e objetivos de vida.  Diante das necessidades, adversidades e das mudanças externas, esse modelo de mundo também muda para adaptar-se ao meio no qual a pessoa vive. Com isso, os valores, crenças, capacidades e objetivos podem ganhar novos significados, direcionando a pessoa para outros estilos de pensamentos, sentimentos e comportamentos. Essa é uma característica presente no ser humano, o que não significa dizer que todas as pessoas possuirão modelos de mundo idênticos.

Em qualquer relacionamento de pessoas o que temos são modelos de mundo funcionando simultaneamente com emoções diferentes. Modelos de mundo ambíguos e estados emocionais alterados podem gerar rota de colisões entre pessoas, desde que estas não tenham desenvolvido sua competência emocional.

Outro aspecto a ser abordado é a necessidade do Ser Humano em ser aceito, reconhecido ou pertencer a um grupo. Quando esta necessidade se torna exagerada a pessoa tende a se frustrar quando contrariada, pois ela acredita que sendo rejeitada, que suas idéias não são aceitas e desencadeia todo um processo de vítima.

Também existem a formas para se contrariar uma pessoa. A primeira pode ser feita por rebeldia, rebelação, que pode provocar danos irreparáveis no relacionamento. A outra forma consiste na disputa de poder, na competição do quem sabe mais, que também pode provocar danos irreparáveis. Entre tantas formas, sempre existe uma que torna possível aceitar sem a necessidade de concordância.

Aliás, este tema me fez lembrar pessoas que amam defender seus pontos de vista até as últimas consequências e gostaria de deixar a seguinte pergunta para pensar:O que você prefere: ser feliz ou ter razão?   

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